{"id":7533,"date":"2024-09-11T12:01:01","date_gmt":"2024-09-11T12:01:01","guid":{"rendered":"https:\/\/goulartfilmes.com\/?p=7533"},"modified":"2024-09-15T23:21:02","modified_gmt":"2024-09-15T23:21:02","slug":"revista-de-cinema-aldo-baldin-mariarrosa-penna-filho-and-the-black-soccer-team-show-the-strength-of-santa-catarina-cinema-at-fam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goulartfilmes.com\/pt\/aldo-baldin-a-life-for-music\/revista-de-cinema-aldo-baldin-mariarrosa-penna-filho-and-the-black-soccer-team-show-the-strength-of-santa-catarina-cinema-at-fam\/","title":{"rendered":"Revista de Cinema: Aldo Baldin, Mariarrosa, Penna Filho e time black de futebol mostram no FAM a for\u00e7a do cinema catarinense"},"content":{"rendered":"<p><em>por Maria do Ros\u00e1rio Caetano<\/em><\/p>\n<p>\u201cAlgu\u00e9m j\u00e1 viu um diretor vestido de fraque (sim, aquele smoking arrematado por vistosa cauda) apresentando um filme num festival brasileiro de cinema?<\/p>\n<p>Pois foi isso o que aconteceu no FAM (Florian\u00f3polis Audiovisual Mercosul). O cineasta Yves Goulart, catarinense radicado nos EUA, apareceu no palco do Cine Show Beiramar Shopping, vestido a rigor. O contraste se fez gritante, pois todos os presentes (cinema lotado por espectadores vindos de Urussanga, Blumenau e at\u00e9 da paranaense Foz do Igua\u00e7u) vestiam-se com roupas comuns.<\/p>\n<p>Esnobismo do encasacado Yves Goulart? N\u00e3o, explicou ele ao apresentar o longa documental <em>Aldo Baldin - Uma Vida pela M\u00fasica<\/em>\u201d, um dos selecionados para a principal competi\u00e7\u00e3o do FAM (a de filmes latino-americanos). Tratava-se \u2014 justificou \u2014 de \u2018homenagem afetuosa\u2019 a seu personagem, o tenor catarinense Aldo Baldin (1945-1994), que fez carreira na Europa, tendo a Alemanha como seu territ\u00f3rio-base.<\/p>\n<p>E mais: o fraque fora cedido por Irene Flesh Baldin, vi\u00fava do artista, e respons\u00e1vel pela trilha musical do filme. O tenor, origin\u00e1rio da mesma cidade onde 30 anos depois nasceria Yves (Urussanga, interior de Santa Catarina), usara o mesmo fraque em suas \u00faltimas apresenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u2018Gastei 14 anos para realizar esse filme\u2019, contou o diretor, formado em cinema no Rio de Janeiro. (...) Ele, em pessoa, desempenhou fun\u00e7\u00f5es-chave no processo de produ\u00e7\u00e3o: fez o roteiro, a dire\u00e7\u00e3o de fotografia, a montagem, a produ\u00e7\u00e3o executiva e a dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O resultado revela amadorismo? De forma alguma.  Todos os testemunhos reunidos \u2014 de Isaac Karabtchevsky, Edino Krieger, Helmut Rilling, Hera Lind, Neville Marriner, Rolf Beck, Celso Antunes, Fernando Portari (s\u00e3o 34 no total) \u2014 s\u00e3o enquadrados com estilo e qualidade t\u00e9cnica. E nos fazem esquecer que ouviremos mais de tr\u00eas dezenas de \u2018cabe\u00e7as-falantes\u2019, pois o cineasta conseguiu reunir rico material de arquivo.<\/p>\n<p>O mais valioso deles \u00e9 fruto de testemunho sonoro registrado por Baldin, num gravador, poucos meses (e dias) antes de sua morte prematura, aos 49 anos. De alta qualidade, tamb\u00e9m, s\u00e3o os testemunhos da vi\u00fava e de suas jovens filhas, Serena e Sofia, que eram crian\u00e7as quando o pai morreu, v\u00edtima de ataque card\u00edaco. E valios\u00edssimo \u00e9 o \u2018material de cobertura\u2019. Ou seja, os registros de apresenta\u00e7\u00f5es de \u00f3peras e recitais dos quais o tenor brasileiro participou nos mais diversos palcos da Europa (em especial, na Alemanha, onde se fixou e morreu), \u00c1sia (Jap\u00e3o), Oriente M\u00e9dio (Israel), Am\u00e9rica Latina (Argentina e Brasil, com maior destaque).<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Filmes sobre artistas (ou nomes que se destacaram na pol\u00edtica ou na ci\u00eancia) costumam gerar verdadeiras hagiografias. Ningu\u00e9m quer falar mal de um morto. No caso de Aldo Baldin, que veio da pobreza, triunfou na Europa e morreu cedo, tudo nos induz a esperar pela cinebiografia de um vencedor, \u2018apesar de todos os pesares\u2019. S\u00f3 que isto n\u00e3o acontecer\u00e1 no filme de Yves Goulart, apesar dos 34 testemunhos elogiosos (31, se excluirmos a vi\u00fava e filhas). Mas o filme traz uma voz dissonante.<\/p>\n<p>E quem \u00e9 a voz cr\u00edtica de <em>Aldo Baldin - Uma Vida pela M\u00fasica<\/em>? A resposta, espantosamente, vem do pr\u00f3prio Aldo Baldin. Em depoimento franco, prestado ao pr\u00f3prio gravador \u2014 o material seria usado como base de pequeno livro autobiogr\u00e1fico, que a morte prematura o impediu de escrever \u2014, o tenor consagrado lembra sua inf\u00e2ncia pobre, a fam\u00edlia de nove irm\u00e3os (todos, fora ele, colonos-lavradores), os pais que o queriam padre (motivo de orgulho para uma fam\u00edlia de imigrantes italianos) e nunca se interessaram pelo canto l\u00edrico, raz\u00e3o da exist\u00eancia do artista.<\/p>\n<p>Para agravar \u2014 lembrar\u00e1 Aldo em seu testemunho \u2014 seu tipo f\u00edsico n\u00e3o era o esperado para um tenor l\u00edrico. Era baixinho, careca, roli\u00e7o. Em meio a tenores vistosos, altos e bonit\u00f5es, ele parecia o patinho feio. Muitos queriam que Baldin se transformasse em um tenor bufo, aquele que desempenhava pap\u00e9is c\u00f4micos nas \u00f3peras. Ele resistiu o quanto p\u00f4de, insistindo no canto l\u00edrico e dividindo-se entre a grava\u00e7\u00e3o de uma centena de discos e o magist\u00e9rio. Tornou-se professor dos mais respeitados. E manteve-se distante do registro bufo.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p><em>Aldo Baldin - Uma Vida pela M\u00fasica<\/em> \u00e9 um document\u00e1rio de constru\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, mas que se faz ver com interesse. Afinal, apesar do min\u00fasculo or\u00e7amento, foi feito com paix\u00e3o e obstina\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1720 size-full\" src=\"https:\/\/goulartfilmes.com\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Aldo_Press16.jpg\" alt=\"Revista de Cinema: Aldo Baldin, Mariarrosa, Penna Filho and the black soccer team show the strength of Santa Catarina cinema at FAM\" width=\"700\" height=\"\" \/><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>by Maria do Ros\u00e1rio Caetano &#8220;Has anyone ever seen a director dressed in a tailcoat (yes, that tuxedo topped with a showy tail) presenting a film at a Brazilian film festival? That&#8217;s what happened at FAM (Florian\u00f3polis Audiovisual Mercosul). 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